montanha   
      

Era noite
Era noite
Te vi deitada, te vi deitada
Era noite

Era sorte
era sorte
Te vi deitada, te vi deitada
era sorte.

Todas curvas, todas norte
Todas turvas, todas morte.

Seus limites, delínea delícia
provocando locomotivas.

Era noite sim, e te vi deitada.
Sobre você, só constelações.
Em mim, meus medos.

Era sorte sim, e te vi deitada.
Sobre mim, sem declarações
Sobre você, meus desejos.

De lamber inteira
de acordar morto
de torturar séculos
de quebrar costelas
de impulsionar destinos
de levantar balões
de levitar anseios.

Era tudo,
era tudo
te vi deitada, te vi deitada
era nua.

E bêbada.


Ouro Preto 31/07/01
Jean Boëchat


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