depois do assassinato, la muerte   
      

Ele pensou que podia morrer agora.
De morte morrida, murrinha, matada.
De tudo que tinha, não deixava tudo
Partia, cumpria, não deixava nada.

Morrer de piano na cabeça,
ou de tiro de violino.

Ele pensou.
Ele podia.
De noite e noitada, não vinha, amarrada.
Tão mudo de dia, não amava tudo.
Comia, cuspia, não amava nada.

Morrer de cavalo louco,
ou de mordida de bezerro.

Ele morreu.
Em pensamento.
De foice e facada, na linha, na estrada.
Foi surdo na minha, não escutava tudo.
Ouvia, entendia, não escutava nada.

Morreu de tristeza amarga,
ou de felicidade explosiva.

SP 31/05/01
Jean Boëchat




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