miñas viagens   
      

É, eu sai.
Escolhi todos os caminhos.

Fui prá lá, fui prá cá.
Continuo indo.

Estradas de terra, pedra, asfalto, nuvens, estrelas, sonhos.

Conhecer um mundo todo. Sair e já ter saudade.
De cada momento de instantâneo.
Daqueles que não dá prá pegar e colar.
Tem que viver.

Barro, pedra, pó e toda a vida.

Agora, em solo sagrado, junto aos lobos.
Aprender a saga, consumir a cana.

Queria segurar algumas mãos de gente longe.
Mas elas estão tão próximas.
Ah! Próximas que elas nem podem imaginar!

Sente meu carinho? O dedo leve sobre o peito da mão?
Nunca soube o nome disso. Mas sempre tenho boas lembranças.

Lembranças de outra pessoa que viaja comigo.
Que me protege nas estradas mais difíceis.
Espanta o mal. Acende as luzes.
E se vai todo medo, perdido.

Por toda eternidade.

Tanta coisa eu carrego. Como a poeira sobre minhas coisas.
Mas sem ofender, sem machucar, sem pesar.
A melhor bagagem do mundo. Vocês.

Sigo viagem!

Caraça 29/07/01
Jean Boëchat


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