tarde salgada   
      


Só ver o Sol em persianas
tanto prédio e seu tiquinho, céu azul.
Dias estranhos, verão. Nem me lembre mais da
prima, deveras.

Eu não sei mais o que fazer
se só queria ficar aqui e escrever
bobagens, cartas de amor e filosofias profundas.
Tristeza, porra, afinal de contas, cadê você?

Quem me dera a grama molhada da manhã,
o calor da tarde e seus lábios de maçã.
Rima fácil, inutilidades dialéticas só para impressionar.

Só o Sol queimando tardes
tanta falta e seu corpinho, tão ausente.
Ah, meus dias, enfim, um dia, chegarão.
Nem me lembro mais o que eu queria te dizer.

Eu não sei mais sobre o que falar
se só queria ficar aqui e declarar
bobagens, cartas de amor e filosofia profundas.
Alteza, porra, afinal de contas, cadê você?

Quem me dera, a água doce cai do céu,
fim da estiagem e seus lábios de mel.
Rima podre, imbecilidades sem te conquistar.

SP 28/12/00
Jean Boëchat




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