fim de dia   
      

quando chega o fim do dia
a presença que some
o tempo que resta
toda a história do mundo
não sei se é o escuro
não sei se é o coração
essa cidade sem estrela
o pensamento torto
a falta de verdade
a dúvida
o chão
eu

quando chega o fim do dia
a distância que aumenta
o tempo que resta
toda a sinceridade presente
não sei se é o escuro
não sei se é o verão
essa cidade sem marinha
o sentimento torto
a falta de horizonte
a incerteza
o céu
eu

quando chega o fim do dia
os livros que eu não escrevo mais
os filmes de segunda-feira
aquele avião que vem
não sei se é a falta de álcool
não sei se é o excesso
essa cidade perversa
o momento exato
a falta de carinho
o medo
a lembrança de primavera
eu

quando chega o fim do dia
mais projetos engavetados
mais tristezas recolhidas
aquela outra, sem despedida
não sei se é a falta de educação
não sei se é uma época que não pertenço
essa cidade, sim
o elemento em falta
de carinho
o frio
a lembrança de aniversário
eu

quando chega o fim do dia
mais corações solitários
mais trivialidades para amanhã
aquela assim, desempedida
não sei se sou
não sei se é
essa cidade, com certeza
falta
eu

SP 26/11/01
Jean Boëchat


| anterior | Índice | próxima |


©Mariana Newlands e Jean Boëchat [ Todos os direitos reservados ]