digno de notar   
      

ninguém notou
ninguém percebeu


o gesto simples
a boca úmida
o sangue escorrendo

ninguém notou
ninguém percebeu


a voz estranha
o rio torto
a pele branca

ninguém notou
ninguém percebeu


o único recado
a virgem maculada
o soneto de vinícius

ninguém notou
ninguém percebeu


a rima besta
o terceiro movimento
a alma fria

ninguém notou
ninguém percebeu


o que não começou
nem começará deste jeito

SP 25/09/01
Jean Boëchat


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