pequenas coisas simples   
      

É impressionante como estamos sujeitos a ser suavemente tocados por uma obra de arte.

Um filme,
um livro,
uma pintura,
uma escultura,
uma cidade,
uma poesia,
uma música,
uma voz,
um morro,
um luar,
quiçá um amor ou uma paixão.

Coisas simples dizendo tanto e para sempre.

Quando você menos espera, já sabe do que gosta, já sabe o que quer,
mas deixa sempre uma frestinha para algo novo (ou mesmo velho).
Algo que, de repente, te toca e altera o estado das coisas.
Com revelações (ou não).

Em alguns momentos, não há foco.
Em outros, há tanta lucidez que chega a assustar os mais desavisados.

Mas não há espaço para desespero.
As coisas simplesmente são e, é deixar chegar e acontecer.

Será que é por causa da nossa eterna busca de respostas?
Será que é por causa de nossa eterna busca por nós mesmos,
sozinhos ou vivendo em comunidade?

Não importa. Importa é ter o coração aberto para essas pequenas coisas simples.

Simples:
como um sambinha,
como um carinho,
como uma pequena bondade,
borboleta ou beija-flor.

Simples:
como uma sinfonia,
como um silêncio compreendido.

Simples:
como o reconhecer de uma fé,
como uma criança,
um amigo ou um bichinho e seus instintos.

Simples:
como a saudade que sinto. Saudade com calma.

Simples:
como apenas desejar paz, amor e coisas boas para todo mundo.


SP 14/10/01
Jean Boëchat
Publicado originalmente na telescÓpica.


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