nem saber   
      

bela
devo perguntar por que?

sem motivo eu, sem tempo

antes de tudo, sem pressa, sempre

bela
olho-te assim: nua

em sonho ou pensamento
em cama mesa banho

nua e bela

sem motivo eu
sem

te toco
em pausas

...

só vontade de desejo

isso: sente?

extremidades que deslizo

em curvas, assim
em cada pêlo, assim
em calor, assim, cada gota

bela
morena tez
encosto, enrosco

frente e atrás
é sua vez

bela

...

derrete, em respiração, desmancha

.
.
.
.

vozes desconexas
canções lentas
dança de mãos firmes
pele com pele
fogo com fogo
visões tensas

ah, tão bela...

não quero nem saber porque.

SP 07/03
Jean Boëchat


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