travessa paz  
   

Luisa não devia, não devia.
Não devia, mas Luisa ia.

Cortava caminho.

Luisa não devia, não devia.
Não devia, mas Luisa insistia.

Chamava-se travessa da paz, mas paz, ali,
Luisa achava que não tinha.

Luisa não devia, não devia insistir.
Não devia, Luisa. Mas insistia.

Cortava caminho.

Nunca tinha ninguém
nenhum lobo - bobo ou mau - apareceu.
Ali, paz, Luisa tinha? Não sabia.

Luisa não sabia, não sabia.
Não sabia, mas paz, Luiza tinha.

Embaixo da roda tem um poço.
Quando se salta em cima tem um barulho oco.
Na cabeça tem pensamento torto.
No coração, um sentimento novo que bate,
e, como o sino da roda, ecoa além-mar.

Luisa não devia, não sabia.
Mas Luisa assim mesmo, sempre ia.

Segue indo, Luisa. Atravesse a paz.



SP 23/04/03
Poema sobre foto e texto de Luisa Cortesão
Jean Boëchat

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