apenas pedra   
      

Senhora soberana,
tão cheia de graça,
veja como é a vida:

Deus, tão gracioso,
me fez de pedra, uma estátua.

Quase fui refém, mas escapei.
Melhor assim, parado, mas seguro.

Não sou grande.
Não sou leão bravo.
Nem defensor da espécie humana.
Sou apenas pedra.

Senhora soberana,
tão cheia de graça,
veja como é a vida:

Eu achava que o assunto eram as marés.
Sim, achava que era a força da Lua puxando as ondas.
Mas não eram nem os cabelos louros do anjo que voa por aqui.

Era apenas pedra.

Não sou da selva.
Nem da Silva.
Fui um dia ouvinte, até que pela voz de um Deus, tão gracioso, virei pedra.

É, Senhora soberana, tão cheia de graça,
engraçada é a vida.

SP 23/04/03
Jean Boëchat


| anterior | Índice | próxima |


©Mariana Newlands e Jean Boëchat [ Todos os direitos reservados ]