tempestade   
      


cansou da vida.

um cancro da saudade a minar a alma solitária.

cheio de gim, vestiu um terno de riscado e saiu pra rua.

garoa fria, cidade fria.

vida cansada.

moléstia de tristeza a acabar com santos e demônios.

bate a mão no peito e grita:

"- DEUS!"

incomodado, chora.

lá do alto, nas parabólicas, nenhum sinal.

agora chove de verdade.

aflição mórbida a destruir certezas absolutas.

tonto e distante,

com os dedos frios e o espírito enrrugado.

chega ao fim em paralelepípedos.

SP 22/01/01
Jean Boëchat




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