manifesto I   
      

Nossa clarabóia só vai ter luz de lua,
luz de sol, luz de coração.

Vamos gerar energia da indignação.

Demonstrar com fé,
o descontentamento em poesia.

Não pretendemos nunca mais ir à guerra.
Não por você. Nem por eles.

Acabou o sonho de armas.
Está acabando a ilusão daquele amor.

Chega.

Nossa clarabóia só vai ter luz de estrela.
Captada em muita vontade. Coração aberto.

O céu é meu. É dela. É livre.
Um céu sem ordem, nem progresso.

Enquanto vocês deixarem o céu viver.

Nossa clarabóia vai sobreviver de persistência.
De murrinha, de ranhetice, sempre.

Luz de conhecimento,
de sonho infantil, de utopia consciente, mesmo.

Utopia. Não aquela que a gente traz pra gente.
Aquela que a gente traz pro mundo.
Que não permite desistir.

Eu não desisto, porra!

Mas não quero morrer
de raiva,
de burrice,
de sede,
ou da imoralidade - aquela de sobrenome fome.

Nossa janela, aqui de cima, abre a cortina.

- Entre, luz. E acorde os homens.

SP 21/05/01
Jean Boëchat e Mariana Newlands


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