conto de redemoinho   
      

Foi fácil entregar os pontos
Escolher o cansaço do tempo
Rapidamente, tudo se fez espesso
Nadar contra a distância
Ainda que exista, tão longe, um cais
Não sobraram mais mensagens
Dói
A pergunta que me resta: por que insisto?

Fiquei aqui, falando sozinho
Estendi a mão, mas não pude nem oferecer nada
Redemoinho passou, levou
Não sabia mais o que era lágrima, o que era rio, o que era mar
Ainda que exista, tão longe, um ai
Nestes dias, só sobraram as fugas
Dói muito
A resposta é sempre mesma: um não saber


Foi assim que acabou, de vez, a minha poesia.

SP 20/11/01
Jean Boëchat


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