O vigia   
      

Hoje não foi trabalhar.
Ficou ali, nas pedras, pensando.
O dia todo assim.

Quem fez a curva no Arpoador, olhando com calma, viu, bem lá na pontinha.
Do Sol vindo ao Sol indo, Lua e estrelas chegando.

Braços envolta dos joelhos dobrados, virado pedra. Um vigia naquele mar gigante,
como que esperando galeras portuguesas, fragatas holandesas ou submarinos alemães.

Ficou ali, pensando.
O dia todo assim.

Quando olhei de novo, não estava mais lá.

SP 20/02/02
Jean Boëchat


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