o poema dela   
      


Ela me pediu um poema.
Eu não a conheço.
Ela não sabe de mim.
Eu, de repente, fico com vontade, escrevo.
Ela não perde, por esperar.
Ela pede, sem vergonha. Sorri.
Eu só sei que ela é lá de baixo.
Eu escrevo. Não imagino.
Ela dorme, agora, eu acho.
Eu construo, destruo, empapo.
Ela não sonha com tal poema.
Eu não costumo, ser assim tão fácil.
Mas ela pediu. E eu não resisto.
Taí seu poema, menina.
Para um bom dia, um bom mês, uma boa vida.

SP 20/01/00
Jean Boëchat.




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