interrogatório   
      

faço um verso
de belezas perdidas e emoções fugidias

faço outro
de tempos em tempos, algum que preste

não sei muito
das palavras que brinco
da vida que vivo
do gosto daquela mulher que eu queria comer

faço um verso
de tristezas medidas e convicções íntimas

faço outro
de tantos em tantos, algum que serve

não sei muito
das invenções que invento
do sonho que sonho
do gozo daquela mulher que eu queria amar loucamente

faço um verso
de certezas conferidas e sensações frígidas

faço outro
de tamanho enorme, que não serve para nada

não sei muito
das cadências que danço
do ritmo que tenho
do amor de qualquer mulher que eu queira

faço apenas um tiquinho de poesia
sem preocupação

SP 18/12/01
Jean Boëchat


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