tolices nº2   
      

não percebeu
a última despedida
o solo tenebroso do violoncelo
o céu escuro sobre a clarabóia

não percebeu que as distâncias não seriam cobertas por instrumentos ópticos
se ninguém olha o mar

deixou passar
a última dança
a moça da fila
o desafinar da orquestra
o céu sem estrelas sobre a clarabóia

deixou passar a estrada que levava toda fuga pra bem perto
deixou passar os diamantes

perdeu a vez
que nunca teve
que nunca teria
que nunca terá

simples como isso

perdeu a vez de ficar no canto, cuidar de si e apenas observar o mundo
tudo pela incontrolável necessidade de participação

foi tolo, agora não reclama.

SP 18/12/01
Jean Boëchat


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