faca e sangue   
      

eu, corsário,
perdido no deserto gelado

atravessei batalhas
areias
e insolações equatoriais

tenho na memória da pele
tatuagens
feridas
e amores passados

eu, corsário,
buscando um mar
minhas velas, minha nau
sem leme, sem vela, sem cais

todo dia, toda manhã
uma garrafa e uma rosa
mensagem clara, boiando solene ia
toda manhã, todo dia

escrita à faca e sangue,
pedia a mão para segurar,
me arrastar até,
vermelho de teus cabelos.

é pouco para nadar
são só peixes
água e sal
queimando

todo dia, toda manhã
uma garrafa e uma rosa
mensagem clara, boiando solene ia
toda manhã, todo dia

eu, corsário,
sei o que quero,
teu nome: liberdade.

SP 18/09/01
Jean Boëchat


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