centro 01   
      

Parece que o tempo não passa.
Olho para o relógio e ele não sai das 10.
Como se um mundo parasse de vez.
Mas não pára não.

Olho para os prédios, não há mais bandeiras.
Não mais papel picado.
Não é fim de ano.

O centro nunca esteve tão cheio.

É um tédio estranho, como chiclete no sapato.

Tempo que te agarra e estica.

Abro os braços para o alto
Penso: '- Porra, mas que calor do caralho'. É frase para ser dito no centro.

Vamos resolver isso?

Na esquina tem um boteco. Peço um garoto e sumo por uns séculos.

SP 17/10/01
Jean Boëchat


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