para você
todas as janelas
ver suas estrelas
deitar o céu
para você
as gotas de chuva
de qualquer intensidade
delirar em sono
para você
a luz enfim:
pouca que seja
saindo de mim
é para você
todas as palavras
as vezes que contei suas mãos,
tão próximas, numa mesma cidade,
e num sopro forte, a natureza dizendo:
"- olha, é para você".
mesmo que seja assim: um segredo público.
para você
não é novidade,
toda clarabóia
que eu montei um dia,
apenas para iluminar meu cantinho.
SP 17/03/05
Jean Boëchat
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