coração de nave   
      

Assinei um tratado
De irresponsabilidades
Num dia de muito sol
Dia de muito frio
E agora o que há de ser?

Perdi um pedaço da Terra
Promovi um banquete
Pulei de cabeça
Dia de muito sono
E agora o que há de ser?

Tenho um tempo de sobra
Pressa: nenhuma
Um coração de fogo
Quase sem certezas
Mas é para ir longe

Tenho na vida, entranhas
Ameaças: algumas
Um coração de nave
Quase tem certeza
É para ir bem longe

Cortei os braços com faca
Amarrei os sonhos com sangue
Entornei no rio, a vida
Para desaguar num mar

Hoje, deito nas pedras para virar sal.

SP 15/10/01
Jean Boëchat


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