amargo   
      

deu topada
mordeu a língua
franziu a testa
doeu

ficou tudo comum

dedo cortado com faca e limão
punhos cerrados com fragilidade
pontadas na lateral
dói

fica tudo normal

derrubam torres
explodem edifícios
fere o coração
dói

fica tudo, assim, tranqüilo

incêndio nos cabelos
mãos calejadas
tempo perdido
doeu

ficou tudo, assim, como se nada tivesse acontecido.

o café está amargo mesmo
a estrada esburacada
o peito congestionado
a tosse: seca

mas eu vou pra festa, sorrindo muito

SP 14/11/01
Jean Boëchat


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