o surfista e bailarina   
      

o mar estava morto
frio, tal qual um coração triste

de repente, lá de longe, o surfista sentiu um vento

um vento que dizia coisas bonitas
que movimentava os coqueiros
que alegrava gaivotas

do outro lado do mundo

o palco assim, meio siberiano
de rosa, estava a bailarina

o público calado,
frio, tal qual um coração triste

de repente, lá de trás da cochia, a bailarina sentiu uma nota

uma nota que trazia um carinho na sapatilha
que iluminava sua entrada
e alegrava orquestras

de todo lado do mundo

do mar vinha uma onda enorme
a maior de todas
a mais bonita
a mais forte

do palco vinha uma música solene
a mais bonita
a mais presente
a mais singela

e o surfista dançou naquela onda
e a bailarina boiou naquela música

no fim de tudo: só a platéia aplaudindo.

e nos corações, mãos dadas para passear.

SP 14/09/01
Jean Boëchat


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