angústia dos dias   
      

a angústia dos dias presentes
como se já não precisasse

esquecer dos medos, do canto perdido,
como se já não soubesse

já não existem aquelas flores,
como se já não existiram

é mais difícil esperar pelos milagres,
como se já não acreditasse

não há como esconder o meu amor,
como se já não velasse o tão óbvio

o beija-flor já não pára no teu ar,
como se já voasse assim num dia

não se fecundam os sentimentos,
como se já fosse pedra, o teu solo

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tá, eu sei que minhas garrafas não bastam.
mas, como ser direto numa distância sem quilômetros?
como se já fosse tão longe, teu coração.

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o milagre esperado não era aquele
como se já não fossemos todos céticos

sua mão calada em carinho
como se já não fechasse toda sedução

assassinar amores
como se já não estivessem mortos

a angústia dos dias presentes
como se já não precisasse

SP 10/09 e 13/09/01
Jean Boëchat


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