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Eu penso, penso, penso e repenso no que escrever, no que falar. Talvez uma ou duas pessoas estejam, em algum canto muito particular delas, esperando um belo discurso ou apenas uma claraboice, quem sabe? Talvez ninguém espere nada e seja só mais uma fantasia.

Já pensei em escrever tudo, cada pedaço, cada detalhe mais sutil e íntimo dessa aventura linda de renascer. É inútil.

"Não há museus em Hiroshima".

Posso falar de Libra e Áries, com Lua em Câncer ou de Áries e Câncer, com Lua em Áries. Pegar tudo isso, estudar, comparar e relatar algum mistério celestial sobre o assunto. Só há os mistérios telescópicos.

Posso, quem sabe, falar sobre a sensação de Cristo Redentor, braços abertos sobre uma Guanabara de esperanças, de expectativas e da certeza única: nada é como antes.

Posso usar palavras de outros, sons de outros, imagens de outros. Dos outros, todos, só posso usar o que Deus dá: a vida.

Posso pensar em cores, sabores - nunca tão significativos quanto agora -, cheiros, nomes e pessoas que fizeram parte, em seus devidos e exatos espaços, de algo tão maravilhoso, que, realmente, não haverão de ser colocados em letras. Cada um sabe o seu papel. Cada um que segurou um pouco a minha mão e, muito, meu coração.

"Não há museus em Hiroshima".

Não me faltam agradecimentos, excessos de carinho e tudo mais, para os que estiveram mais perto de tudo e para aqueles que estiveram (e ainda estão) um pouco mais longe.

Simplesmente não adianta escrever, falar, olhar e ver. As vezes, não adianta nem sentir.
Só adianta viver. Isso basta.

Eu sou a pessoa mais feliz do mundo. Obrigado.

SP 07/04/03
Jean Boëchat


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