diva leitosa   
      

Ela sempre acreditou, ou pelo menos quis acreditar, que se tirassem a tampa da Lua,
jorraria leite sem parar.

Assim, ela abriria os braços e deixaria cair, molhar, até ficar branquinha e bem cheirosa.

Sonhava em deitar-se nua, no asfalto da Viera Souto, junto das faixas.
E numa noite qualquer, não sei se em novembro ou dezembro,
seria lambida por todos os gatos da cidade.

Coisas que só se podia pensar em Ipanema.

Todos os miados, os faróis baixos, os pingos de leite e as taras mais sinceras.

Seu leite derramaria por entre as ruas e avenidas, invadiria a Lagoa,
enbranqueceria toda a Guanabara.

O que dizer das manhãs seguintes?

"- Ah, queria tanto um biscoitinho de maizena"

SP 11/12/01
Jean Boëchat
com colaboração esperta de Victor "Tatarana" Aragão


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