sonho dela   
      

o sonho que ela teve
não tinha

aquelas cortinas
aquele tanto de vinho
a sensação sacra da chuva

ele andava pelas ruas do centro
perdido, ouvindo os carrilhões da catedral

o homem gritando sozinho: "- santuário, santuário"

. . .


o sonho que ela teve
não tinha

os dias de novembro
a fumaça das 4 horas
a sensação fraca da vida

ele cambaleava em paralelepípedos
livre, ouvindo o choro da mãe infeliz

o homem gritando na fábrica: "- operário, operário"

. . .


o sonho que ela teve
não tinha

ela correndo para o céu

mas quando o vento passou te levando, eu segurei tua mão
e já não era mais sonho

SP 10/10/01
Jean Boëchat


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