foi-se da vida   
      

Perdi palavras.
Encontrei silêncio.
Fez-se do nada, saudade.
Olho para montanhas,
mastigo flores e me deito.

No céu:
decifro rinocerontes nervosos.

E naquele sorriso limpo?

Looking for the girl with the sun in her eyes,
and she's gone.

O mel, eu consegui na carne de aluguel.

O gosto cigano veio derretido na melodia da menina do violoncelo.
Lembra dela? Eu não. Tempos de caos.

A fumaça quente, respirei nas suas ervas.

Fui cavaleiro a desafiar moinhos e ventos.

Andei pela praia, na areia.
Fiz sambas, prosas, versos, cantadas.

Me perdi nos olhos serenos,
tive medo em braços morenos,
me confundi nas tantas pernas.

Passei incólume por um mundo cego.
Mas não vi neve. Deve ser culpa de meus pecados.

Voltei para a grama.
Abri os braços e lá estava frio.

      E assim foi-se da vida.


SP 09/05/01
Jean Boëchat




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