sem pontuação ou desculpa  
      

como a pata do gato desce lá do alto
na sombra em pouca luz
como aquela casa é minha
com números redondos
como na volta do rio tinha pedra
na pauta tem poucas notas
como o branco se mistura com preto
em corpos esguios num carnaval

a música é feita do silêncio
a voz é feita de paixão
o sangue é feito da verdade
o coração é feito apenas de fé

como a sanha da moça desce lá das pernas
na cama em pouca luz
como aquela pele é minha
com trejeitos risonhos
como na volta da curva tinha prata
na vida tem poucas chances
como o aço se mistura com terra
em corpos safados num temporal

a falta é feita do excesso
o corpo é feito de ilusão
a flor é feita da saudade
a alma é feita apenas de carne

como o dia de novo desce lá da noite
na foto em pouca luz
como aquela fala é minha
com ditongos estranhos
como na volta da esquina
na ida tem pouca gente
como o fogo se mistura com gelo
em corpos molhados no ato final



SP 08/11/06
Jean Boëchat


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