Feroz   
      

Insaciável

Crava as unhas em minhas costas
Me arranha, machuca, me bate e gosta

E eu achando que ia dominar
Não sou nada para contar

Armei barreira
Impendimento
Fiz falta, entrei com carinho

Insaciável
Felina

Morde, fere, come minhas orelhas
Me assanha, maluca, acende todas centelhas

E eu achando que ia controlar
Não sobrou nada para contar

Passei por trás
Alinhamento
Fiz corta-luz, entrei com carinho

Insaciável
Felina, queria mais

Abre meu peito, arranca meu coração
Me inflama, cutuca, faz forte, marcação

E eu achando que ia acabar
Não há nada mais para contar

Só uma camisa branca, uma pele branca, intacta.
E uma saudade desmedida.

SP 08/09/02
Jean Boëchat


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