para o dia que nunca passa   
      

que não passa
que não vou
que não chega
que doença é essa?
que nem poesia me socorre
que não sei
não avança
que quero aquilo
que quero aquela
que conto casos
que canto todos
que te leio em solidão
para o dia que nunca passa
que movimento é esse
que não controlo
que não entendo
que não acaba?
que nem poesia me comove
que não sou
não dança
que quase tive
que cancro doido
que dor aguda
que sonho troncho
que tormento amargo
que aflição, é medonha!
que não sei mais
para o dia que nunca passa
queimem todos os relógios, não tenho mais tempo pra fugir.
e era tudo o que eu queria: me leva

SP 08/06/01
Jean Boëchat




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