sinta-se propícia
moça agraciada
dos olhos cansados do calor.
canto-te pré-gravado
a fala entorpecida
do poema travado de amor.
tal verso
impedido de tamanha timidez,
propaga-se nos pulmões
pronto para gritar.
tal qual beijo
enternecido de precisa lucidez,
divulga-se aos borbotões
pleno, suave, a gozar.
entrega-se pecadora
ao bojo embatumado
de quimeras em torpor.
queima-te feiticeira
na sanha incontrolada
do desejo inquisidor.
tal qual talho
embebecido de infinita embriaguez,
esfrega-se em concessões,
tenso, quente, a chorar.
SP 06/02/01
Jean Boëchat
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