ela em 72 pontos .      


Chegando a uma conclusão:
ela não existe. É poema que eu faço. Poema sem fim.

Ela é sul. É norte.
Ela é desejo. É morte.

É concreta, a construção:
adjetivos, pele e sabor.

Aquele beijo no bico duro. Ou no olho aberto.

Tocar-te.

A perfeição imaginária. O seu amor.

Tal gosto de sal, suor. Prazer.

Água de beber. Em pêlos no segundo.

Sente?

Ponta de dedo percorrendo palavras?

É ela. Em braile. Por cada poro. Cada canto. Lágrimas.

Esquecendo a confusão:
ela é retrato. Retrato que pertence ao mundo. De letras.

Ela é vento. É sorte.
Ela é tudo isso.

O olhar. Fechado em 72 pontos.

SP 23/07/99
Jean Boëchat




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