marília, o poeta não sou eu   
      

Marília dorme perto do poeta.

Não como gostariam.
Não como poderiam, Marília e o poeta.

Marília dorme sozinha, triste.
Quer dizer, dorme ao lado de outra moça. De outra poesia.

Marília ficou só.

Não viu os livros.
Não leu as pinturas.
Não viu a história, simplesmente a foi.

Marília e a eternidade.

A eternidade dorme perto do poeta.
Mas Marília não.

Os dias ficaram mais chatos.
As ladeiras ficaram mais íngrimes.
As cadeiras mais vazias.
As letras mais pequenas.
Até a Lua se apagar.

Marília e a liberdade.
Ainda que tardia.

E o amor?
Ainda que ardia.

Marília dorme perto do poeta.
Mas, não como queria.


BH 05/08/01
Jean Boëchat


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