à gosto  
      

ah. gosto.
dessas brincadeiras infantis
desses sorrisos de soslaio
dessas palavras esquisitas
desses meses de 31.

ah. eu gosto mesmo
dessas janelas abertas
desses vizinhos sorridentes
desses vinhos que nunca acabam
desses poucos dias da gente.

ah. gosto.
dessas caixas baixas
desses pequenos toques
dessas pontuações incisivas
desses estados preguiçosos.

ah, como eu gosto.
desses sabores dos deuses
dessas danças de madrugada
dessas piadas internas
desses detalhes tão pequenos de nós dois.

sim, há gosto.
dessas letras perdidas
desses convites já feitos
dessas verdades não ditas
dessa história toda,
que ainda tenho que contar.

SP 04/08/08
Jean Boëchat


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