adagio   
      


vão todos em seguida
vão todos nesta vida
vão sempre para seguir
vão sempre para mentir
vão sempre só para morrer
e, sempre...

como se não houvesse um fim
um fim da luz, um fim assim
de um dia, de mim.

...

nas ruas da cidade
nesta noite iluminar

nas ruas da cidade
nesta noite alardear

a vida de quem não tem mais

fim

nas ruas da cidade
neste dia singular

nas ruas da cidade
nesta incrível sinfonia

a vida de quem não tem mais:
andamento.

e as ciganas, em volta a dançar. compassadas.
lentas a rodar.

ah...

vão todos em tantas sinas
vão todos assim seguindo
vão todos assim sentindo
em vão, todos, enfim, partindo.
e, sempre.

como se não houvesse um fim,
um fim de noite, um fim de vida,
de um sonho, de devaneio, alma e cor.

SP 04/01/01
Jean Boëchat




| anterior | Índice | próxima |


©Mariana Newlands e Jean Boëchat [ Todos os direitos reservados ]