testamento  
      

deixo todas as palavras 
para uma caixinha
sem lágrimas.

joguem fora tudo o que foi dito
o que foi feito, o que nada resta
para não guardar.

deixo um frio coração
para quem quiser
sem lágrimas.

joguem fora as emoções certas
o que foi vivido, o que nada aconteceu
para não guardar.

deixo sonhos, rastros, lembranças
para você, você e você
sem lágrimas.

joguem fora "os meus ódios, os meus medos"
o que foi errado, o que foi acerto
para não guardar.

deixo nada
para ninguém
sem lágrimas.

joguem fora o que foi feito de mim
o que existiu, o que nada houve
para não guardar.

deixo tudo
para alguém
com lágrimas.

SP 02/07/08
Jean Boëchat


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